sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Não adianta pular da janela mais alta porque ainda não se sabe se o fim levará a um novo começo.

José Belarmino, meu avô

Até aquele momento não dava para saber se daria certo.
Mas meu coração dizia para tentar mesmo assim.

A ideia nasceu de uma estrela cadente,
Enquanto eu crescia ela caía.
Quando tive 12 anos ela desapareceu de vez no horizonte.

Estrelas cadentes passam tão depressa que se ninguém disser que às viu, somem como se nunca tivessem vindo ao mundo.
E eu não quero que minha estrela tenha esse destino.

Somos tantos e o tempo não tem limites como se supõe - quero dizer que a eternidade torna nossa existência inútil e desnecessária.

Me provem o contrário!
As ações que marcam a história são movimentos de muitos, e são poucos os que conseguem passar ilesos pelo apagador do tempo.

Se ninguém souber que Belarmino esteve aqui, que andou pelas ruas da Liberdade, que pintou prédios do centro de São Paulo, será como se nunca tivesse existido. E minha estrela não pode ter esse destino.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Quando a solidão se abarcar de tal forma que seus braços sejam tão fortes que eu não consiga me desvencilhar, a saída será cantar.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

...

Acordei um pouco mais cedo para tornar o dia mais longo.
O banho foi demorado e aproveitei para lavar os sapatos.
O que significam os sapatos?
A primeira vez que o vi, fiz essa pergunta porque estava descalço e fiquei contente com isso. Pensei que tivesse me encontrado.
De certa forma foi isso o que aconteceu. Não do modo como queria – ter você em mim e dessa forma ser em você – mas imaginei ter de volta a metade que perdi há muitas vidas, segundo dizem algumas religiões.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

E foi assim que me dei conta

Coloquei na minha cabeça que precisava de duas respostas para ser feliz e estável: o sim, e o não.
Naquela época imaginava um mundo feito de estruturas simples onde deveria prevalecer ou o bem, ou o mal.
Mas num dado momento da minha vida, se não me engano numa noite tão escura que dava para sentir que o céu de estralas brilhava gracejando de pensamentos tão simplistas, fui atingida por um raio que me fez lançar para o ar tudo que estava em minha cabeça.
Após o susto fui obrigada a recolher os pedaços em volta com desespero de quem se sente vazio.
Não conseguia mais montar aquele quebra-cabeças do modo como estava antes do acidente acontecer.
Até hoje sobram pedaços que guardo numa bolsa a tiracolo.
Tem dias que penso em jogar tudo fora, penso em queimar também para que ninguém se aproveite do que me fez inocente um dia.
Mas antes que possa me desfazer totalmente dos objetos da minha história, percebo que não sei se seria capaz de seguir sem minhas lembranças por pior que algumas delas sejam.
Eu sou isso, pedaços de memórias que me agradam e desagradam. Simplesmente, isso.
Mesmo assim me pergunto: se conseguisse apagar o passado ruim, seria eu melhor?
O maldito passado era para mim?

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

...

Quando a chuva despencar sobre o meu telhado estarei segura.
Mas, e quando estiver andado pela rua vazia naqueles dias em que grita a infância lá de trás?

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Poema da Resignação

Como minha cabeça acompanha meu coração e meu coração acompanha minha cabeça, sou um ser humano.

Pensei muito para não te dizer. E remoendo o passado recente prefiro concluir que assim foi bem melhor.

Não sei o que você é,
Nem sei se me faria feliz,
Não sei se entenderia minhas piadas,
Nem sei se sentiria aquele gosto de não querer ficar longe.